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domingo, 11 de agosto de 2013

Dia dos pais.

Chimarrão, companheiro inseparável do gaúcho!

Tinha orgulho das suas parreiras.

Gostava de vinho tinto, um cálice por dia!
Hoje é dia dos pais, o primeiro de minha vida sem o meu. Durante esse tempo todo depois que ele faleceu (lá se vão 3 meses) não tive vontade nem inspiração pra escrever neste blog, quer dizer, até tinha uns assuntos que apareciam e eu pensava: é um bom assunto pra escrever, mas não dava. Com o coração e a alma em luto não tinha energia, nem vontade de escrever.
Mas hoje é dia dos pais, recebo mensagens dos meus filhos me felicitando, fico feliz por eles me amarem, pai imperfeito que fui e sou. Mas sinto a falta dele, do homem forte e vigoroso da minha infância, do homem maduro e sereno da minha juventude, do velhinho sábio e frágil nos seus últimos dias; sinto falta de você, Seu José!
Seu José não me ensinou a viver, ele me mostrou, deu exemplo, se ele tinha alguma falha, para nós os filhos procurava corrigi-la de forma que nós saíssemos melhores do que ele era, e quem é perfeito no mundo né?
Tinha uma paciência infinita, mesmo eu, primeiro rebento, meio cabeçudo e turrão tinha dele inúmeras chances de me corrigir, com seus conselhos e advertências para depois, muito tempo depois aplicar um corretivo. Mas pau que nasce torto, torto há de ficar, e eu continuava teimoso. Lembro que então meu pai resolveu me dar uma lição sem aplicar castigo físico, e assim fez. Um dia, eu ia aí pelos 12 ou 13 anos, ele me chamou no galpão, que era atrás da casa, e me mostrou uma tabuinha que ele tinha lixado, bem lisinha com um furinho em cima. Pendurou a tábua num prego da parede e me disse: "essa é tua tábua, cuide bem dela". Como eu não entendi bem qual era a mensagem, não dei muita bola, segui mantendo o comportamento habitual. Convém dizer que, praticamente todos os dias, antes de ir pro trabalho, ele me deixava alguma obrigação pra fazer. Tinha as habituais, como alimentar os coelhos, as galinhas e, até durante um tempo, uma porca que tivemos, também tinha que rachar lenha (que eu gostava muito) e capinar o pátio e a horta (que eu não gostava). Então eu fazia o básico e o que eu gostava, deixando as tarefas mais chatas prá lá. Um dia entrei no galpão e ele estava colocando um prego na tabuinha, não perguntei a ele o porquê.
Mais alguns dias, já haviam vários pregos, fiquei intrigado, mas ainda assim não perguntei.
No fim do ano ele me chamou novamente e enquanto ia retirando os pregos ( a tabuinha estava eriçada de tanto prego cravado)me falou, cada prego destes é uma desobediência tua, que aqui estou perdoando, mas quero que penses que a tabuinha é como o coração de um pai ou uma mãe, e me entregando a tabuinha sem nenhum prego, mas com muitas marcas. Aí eu alcancei o que ele queria me dizer! Confesso, doeu mais do que umas varadas! Desse dia em diante procurei melhorar minhas atitudes.
Pouco tempo depois, quando eu ia terminar a terceira série ginasial (influenciado por amigos que tinham parado de estudar para ir trabalhar) disse para ele que terminando o ginasial, não queria mais estudar, que já tinha estudado demais. Seu José não deu um pio. Quando dezembro chegou, eu já prelibando horas e horas de futebol, banho na sanga e algum namorico, Seu José me chamou. Aí me explicou que, como eu havia falado em parar de estudar então ia me colocar como auxiliar do Tio Leopoldo Steinhaus, que por sinal era pedreiro-construtor de mão cheia! Adeus futebol a tarde toda, banhos e pescarias na sanga, adeus namoricos, eu ia era trabalhar, e no pesado!
Construímos o muro que cerca o terreno da Igreja Metodista, aprendi a fazer massa, transportava tijolos, corria o dia inteiro pra lá e pra cá. No começo eu era muito lerdo, então o tio gritava lá de onde estava: "Massa mole!"; e o mole era eu! Tinha que fazer a massa rapidamente e colocar nas caixas já distribuídas estrategicamente. Ao final da empreitada recebi meu salário, cerca de um salário minimo, nunca tinha visto tanto dinheiro junto na minha vida! Reformei minha bicicleta velha, comprei bobagens, fui ao cinema, mas olhava pra minhas mãos, grossas, cheias de calos, ásperas como uma lixa e comecei a matutar, as férias já no fim.
Cheguei pro pai e falei: "É, acho que vou estudar mais um pouco!" 
Ao que o velho respondeu, na "catega": Eu só quis te dar uma amostra do que seria tua vida, sem mais estudo! Tive que reconhecer; matou no cansaço!
Hasta!

sábado, 8 de setembro de 2012

Reminiscências II

Continuando as lembranças do seu José.
O causo do "Bolinho Titia"
Ainda na infância do seu Zé, morando na chácara, existiam uns parentes da Vó Felicidade que moravam por perto (perto no campo não é que nem na cidade!). Mas enfim.
Vez em quando vinha o filho desses parentes e passava o dia lá. O guri era muito pussuca, pedinchão e por isso amealhou a antipatia dos primos (era sobrinho da vó).
Volta e meia, sabedor que Dª Felicidade fazia uns bolinhos deliciosos, ele chegava na porta da cozinha e fazendo olhos compridos lascava: "Bolinho titia!", e a vó dava um bolinho pro guloso.
Dali cinco minutos tava ele de novo:"Bolinho titia!, e ganhava mais um, e mais um, e mais um.
E assim ia, cada vez que ele aparecia pra visitar. Tio Merico e o pai já estavam por conta com o abusado, vendo a bacia dos bolinhos cada vez mais vazia.
Resolveram dar uma lição no priminho, que, pro causo já tava com a barriga roliça de tanto bolinho titia.
Tio Merico tinha matado um lagarto e tirado o couro pra empalhar, olhando de relance parecia que o bicho tava vivo!
Havia uma varanda, onde todos sentavam à sombra, pra matear, prosear e... comer bolinhos (os que sobraram). Aproveitando um momento em que o priminho foi lá pussuquear mais um bolinho, Tio Merico escondeu o lagarto em baixo da cadeira dele atado a um fio de linha preto, que estendeu até o outro lado e ficou aguardando o incauto chegar, seu Zé e os demais irmãos na expectativa!
Ele veio de lá, faceiro que nem ganso novo em beira de taipa, saboreando mais um daqueles petiscos deliciosos e sentou-se!
Tio Merico disfarçadamente começa a puxar a linha trazendo o lagarto pra perto dos pés do piá, quando tava bem pertinho deu um puxão na linha fazendo o bicho encostar nos pés do guri ao mesmo tempo que gritava: "cuidado, uma cobra!".
Ao sentir o réptil nos seus pés e mais o grito do tio, o piá não teve dúvidas, era uma cobra querendo picá-lo, num prisco tava de pé e saiu em desabalada carreira em direção à casa dele.
Sentiram-se vingados do primo pedinchão e por um bom tempo o "bolinho titia" não apareceu por lá!
 Por falar em cobra, teve uma vez que a Vó Dadade, sozinha em casa com as crianças, matou uma cobra que entrou no paiol à caça de ratos; havia milho estocado e os ratos vinham, atrás dos ratos a cobra. Quando a Vó viu aquele bichão grosso enrolado olhando pra ela, não teve dúvida, catou um porrete e bateu na cabeça do bicho até matá-lo. Depois da cobra morta é que deu a tremedeira!
Nos dias de chuva, os guris não podiam sair então ficavam pelo paiol, pelo galpão, procurando o que fazer. Numa dessas Tio Merico notou que os ratos haviam feito túneis no telhado do paiol que era de capim santa fé! Daí pra imaginar uma arte foi um tapa! Pegou uns arames bem grossos fez dum lado uma ponta beeem afiada, endireitou improvisando uns espetos e convocou seu Zé.
Explicou o plano, eles iam subir no paiol e prestar atenção aos ruidos do deslocamento dos ratos pra localizá-los, então era só espetar por entre o santa fé! Dito e feito! Acharam uma diversão para os dias chuvosos, ficavam lá espetando, vez por outra o guincho de um rato acusava que tinham acertado o alvo, divertiam-se e afugentavam os roedores que vinham roubar os grãos armazenados!
Ainda guri, a pedido do padrinho dele, Tio Américo, seu Zé acabou deixando a chácara e veio morar em São
Luiz Gonzaga onde seria mandalete do padrinho e poderia estudar.
Tio Américo era representante comercial de várias empresas atacadistas e também de periódicos da capital e o seu Zé foi sendo treinado pra fazer a venda das revistas e tirar os pedidos que os varejistas encaminhavam, tudo isso em troca de casa, comida e escola, o que, na época, não era pouco. Ia de porta em porta oferecendo as revistas ( Tico-Tico, Detetive Comics, Gibis, Revista do Clube Militar e outras) e ao fim do dia estava com o bolso cheio de moedas(réis ou merréis), que entregava ao padrinho. Havia um militar que era freguês, comprava revistas caras e pagava à vista; seu Zé gostava de vender pro homem, mas tinha um porém, na casa morava um cão policial enorme e mal encarado. Um dia, tendo chegado da capital revistas novas, seu Zé saiu a distribuí-las aos fregueses habituais. Chegou na casa do militar, chamou, ninguém atendeu, viu que a porta estava entreaberta e resolveu abrir. O cão estava atrás da porta e num upa segurava seu Zé pelo braço com aqueles dentes enormes! Seu Zé gelou, o cão segurava e a cada mínimo movimento rosnava ameaçador, resolveu ficar imóvel e em silêncio, lá pelas tantas a empregada estranhando o silêncio resolveu dar uma olhada e encontrou a insólita cena, seu Zé com um maço de revistas numa mão sendo segurado no outro braço pelo cão. Imediatamente ralhou com o cachorro que soltou o assustado vendedor mirim, pegou e pagou as revistas encomendadas e quando ia agradecer seu Zé já tinha se mandado pra casa!
Outra vez, já mais taludo, repassava o comércio tirando pedidos de secos e molhados, confecções e outros produtos; época de guerra, escassez de alguns produtos o que atiçava a cobiça dos comerciantes por maiores lucros  e  seu Zé chegou num bolichão pronto pra tirar pedido. O bolicheiro pedia e seu Zé anotava, pelas tantas o homem tascou: "tem sal?" (sal nem pra remédio) seu Zé (ignorando a escassez do produto) respondeu: "tem", e o bolicheiro piscando o olho pros circunstantes: " então me mande um vagão de sal". Seu Zé arregalou os olhos, tava feito, ia ganhar um rio de dinheiro de comissão (já ganhava comissão pelas vendas), anotou os demais pedidos e se mandou pra casa! Lá chegando comunicou ao padrinho a espetacular venda que tinha feito! E tio Américo desatou a rir, deixando o noviço vendedor confuso!
Depois de rir bastante explicou, sal está em falta a muitos dias, o bolicheiro sabia e te aplicou!
Seu Zé murchou, não seria desta vez que ia ganhar uma gorda comissão.

sábado, 25 de agosto de 2012

Reminiscências

Eu me lembro....
Meu pai lembrava, agora não lembra mais. Suas memórias esfumaçaram, já não conta repetidas vezes as histórias das pescarias e caçadas, primeiro começou a confundir as histórias, uma se metendo no meio de outra, os personagens se misturando, o filho(eu) entrando em pescarias onde nem era nascido. Calou-se, o Alzheimer dominando o agora corpo frágil de ancião, a falta de forças se ampliando, arrastando os pés, só não esqueçe do seu chimarrão, isto pra ele é sagrado.
Ele esquece, mas vou tentar lembrar as histórias, pra preservar o que puder da sua vivência neste mundo.
Guri, viviam na chácara de propriedade de meu avô, João Castilhos da Fontoura e de minha avó Felicidade Silva da Fontoura. Meu avô plantava, tinha umas vaquinhas,porcos e galinhas  pra subsistência e comerciava, de carreta, o excedente. Viagens longas, demoradas, e quando voltava, saudade grande apertando, mais um filho encomendavam.
O tio Merico (Almerico) e o José (ou Noé, como a vó chamava ele) eram encarregados de uma serie de tarefas na chácara, o vô chamava o pai e meu tio e dava as ordens pro dia, e ai deles que não cumprissem à risca!
Mas tinha um porém, Merico era o sujeito mais "arteiro" que o pai conhecia, além de ser mais velho.
E o pai, tomando mate conosco, contava as artes do tio Merico; " o mangueirão dos porcos ficava numa baixada e a roça mais para cima, o vô Guta (esse era o apelido de meu avô) mandou os dois colherem umas morangas, picarem pra dar pros porcos, mas, tio Merico teve uma idéia (genial segundo ele) colheram as morangas e largaram rolando barranco abaixo e elas se espatifaram já dentro do mangueirão e tio Merico, divertido, ria a mais não poder."
Outra vez tio Merico, convidou o pai pra irem pescar no rio Piratinim, que passava pela propriedade, muniram-se de iscas, caniços, facão e se foram, detalhe o Piratinim é um rio fundo e correntoso.
Chegando lá, pescaram um pouco e o tio embestou de atravessar pro outro lado, porém ali era fundo e tinha uma correnteza forte, o pai não nadava direito refugou, tio Merico não sabia nadar, mas deu a idéia de fabricarem uma jangada. Convencido pelo tio partiram pra execução da obra, com o facão cortaram uns bambus e cipós, mais uns galhos secos e montaram a traquitana, a aparência era horrorosa e a  segurança pouco mais que zero. Colocaram aquela coisa na água e seu José subiu nela, equilibrando-se precáriamente numa das extremidades pra dar lugar pro tio Merico, nisso o tio deu uma gargalhada e se jogou de cima do barranco na outra extremidade, o tio Merico era mais velho e mais encorpado, e o magrinho José foi primeiro arremessado pelos ares e depois nas águas caudalosas do Piratinim, assustado, a adrenalina a mil, num vu tava no barranco depois de nadar e beber bastante água.
Indignado, tremendo pelo susto, meio engasgado e agarrado numa raiz, sua primeira reação foi cobrir o sacana de tudo quanto era nome feio que sabia! Enquanto isso, com o golpe que levou, a jangada improvisada se desmanchou e tio Merico afundou que nem um prego. Voltou à tona, puxou um ar com força e quá, quá, quá, gargalhou, antes de afundar de novo, voltou a tona e puxou um ar com força e quá, quá, quá, de novo afundou. Aí o pai viu que ele ia se afogar rindo ou morrer de rir se afogando e resolveu ajudá-lo a sair da água, pegou o bambu que ia servir de varejão e estendeu pro sorridente afogado. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
Outra vez, vô guta mandou os dois arrearem a Chinita, uma égua velha que eles tinham e mais um outro cavalinho pra trilharem  feijão no pátio. Estenderam a lona trouxeram o feijão colhido e empilharam em cima até a altura dos joelhos, depois trouxeram os animais e começaram a trilhar (andar em cima do feijão, as patas dos cavalos fazendo o papel de debulhar as vagens e compactar a palha dos pés de feijão). A única coisa ruim desta tarefa era quando o animal estercava, tinha que parar tudo, tirar o esterco com todo cuidado pra não misturar com os feijões, então pra não ter esse trabalho eles cuidavam quando o animal fazia menção de urinar ou estercar, retiravam-no rápidamente de cima do feijão pra depois recomeçar normalmente. Até que a Chinita, conduzida pelo tio Merico estercou em cima do feijão e como era ele que estava conduzindo, cabia a ele retirar a bosta toda. O tio pegou com todo cuidado aquelas bolotas, verdes, fumegantes e cheirosas, deu uma olhadinha pro pai, que sentindo a maldade do lance tentou correr, mas não deu tempo! Foi atingido pelo projétil mole e malcheiroso bem na orelha, encheu a orelha! Indignado, não podia bater no outro, mais velho e maior, correu até a porta da casa e entregou o malfeitor às autoridades competentes! Mostrou pro vô a prova do crime, a orelha cheia de caca.
Resultado, tio Merico teve que trilhar sózinho o resto do dia enquanto o pai, na sombra, comendo bolinhos feitos pela vó, ficava rindo.
Da esquerda pra direita, Paulo, vô José, vó Noemi, e Loli
O vô Guta havia comprado uma junta de bois de um alemão velho, que morava nas redondezas, certa feita iam ele e o pai, levando um tronco enorme de madeira de lei para fazer tábuas e barrotes numa serraria.Haviam atrelado os bois, retiraram a caçamba da carroça, puseram um eixo na frente e outro no fim do tronco, de forma a transportá-lo com facilidade, seu José, a cavalo no tronco divertia-se com a viagem. Porém tinham que passar em frente a propriedade desse alemão velho. Quando os bois chegaram em frente à propriedade, reconheceram a querência velha e, numa guinada brusca, desembestaram em direção à casa do alemão. Com a guinada a carroça improvisada capotou e lá se foi seu José pelos ares de novo! Como não tinha água pra amortecer o choque, tombo feio, seu José quebrou o braço!
O alemão acalmou os bois, e depois socorreu o menino. A alemoa velha, pra distrair a dor do braço quebrado, trouxe uma fatia de pão caseiro, com uma grossa camada de "schmier" e nata que meu pai aceitou e quase nem viu o puxão que deram pra colocar as canas quebradas no lugar. Com umas taquarinhas  fizeram as talas, amarraram firmemente com umas tiras de pano e pronto! Tava consertado o braço.
Quando o vô Guta carneava gado, salgava e estendia o couro pra depois vender. Uma ocasião, tendo alguns couros prontos, mandou tio Merico entregar pra um vizinho que estava juntando pois um comprador ia lá buscar. O tio amarrou os couros com uma corda, e saiu arrastando aquilo pelo corredor, não sem antes ouvir a recomendação do velho Guta: "Quando vir outro cavaleiro, você pare e não volte a arrastar esses couros até ele passar!"
Mas tio Merico era medonho, no corredor arrastando aquele barulhento objeto, avistou vindo em sentido contrário, um vizinho montado num bonito tordilho passarinheiro. Num relance avançou mais um pouco e parou, bem perto de um local cheio de caraguatás na beira do corredor. Esperou o vaqueano chegar bem pertinho, o tordilho andando meio de lado, já de olho naquele estranho objeto no chão, comprimentou respeitosamente o homem mais velho e quando estavam lado a lado, deu uma arrancadinha pra frente! Os couros se mexeram e fizeram um barulhão, o cavalo empinou e jogou o gaudério lá no meio dos caraguatás! Tio Merico apeou e correu socorrer o homem todo lanhado pelos espinhos e brabo pelo tombo. Vou contar pro seu pai menino, esbravejou o cidadão e partiu a trote em direção à casa do vô Guta.

domingo, 1 de julho de 2012

Domingo

É domingo e, apesar do inverno já estar entre nós, tem um solzinho gostoso lá fora,  a temperatura é amena.
Estou na "casa de campo", onde a Mônica mora atualmente. Há um silêncio e uma paz impressionante, o que tem feito bem para as crises de ansiedade e pânico dela. Agora são mais espaçadas, mas basta haver algum fato que a incomode e pronto! Já vem tudo de novo.
É curioso, estou tentando me adaptar a esta situação "sui generis" de estar comprometido com alguém, porém, morando sozinho.
Ontem combinamos de fazer peixe no almoço de hoje, já preparei a "cancha" na cozinha, mas não comecei ainda pois a Mônica queria tomar mais uns mates.
Tivemos notícia do falecimento do marido de uma prima minha, enfarto fulminante, o homem tinha apenas 45 anos, que côsa! Não fomos ao velório, apesar de solidários com a dor de minha prima pela perda.
Ontem almocei com meus velhinhos queridos, depois fui ao mercado com eles, levamos quase duas horas pra fazer compras que em 20 minutos eu faria, mas eles se entretem, fazem escolhas, discutem, um compra coisinhas pra agradar o outro e, invariavelmente, quando eu e o pai vamos para o caixa a mãe some nos corredores pra pegar alguma coisa, uma guloseima, balas de mel, um chocolate pro pai e atrasa todo mundo na fila!
O pai está ficando com a memória fraca, as vezes mistura relembranças com o presente, fantasia coisas, ontem me perguntou: "Como estão os velhos, tão bem de saúde?" (os velhos são ele e a mãe), nessas situações, que são cada vez mais frequentes, tenho optado por entrar no jogo e seguir a conversa como se fosse normal, respondi: "Estão bem, o pai tá meio esquecidinho, mas bem de saúde." E seguimos tomando mate. O engraçado é que ele sabe quem sou e que sou seu filho mais velho.  Tem coisa que ele faz confusão, mas não é culpa dele, me pergunta pelos filhos e pela mulher, como se os filhos estivessem aqui comigo. Quem mandou eu "casar" cinco vezes!
A mãe, apesar de bem mais nova que o pai já está entrando no mesmo ritmo, ontem almocei com eles, hoje meu irmão ligou, queria levá-los pra almoçar com ele, já que a Marlene faz aniversário hoje, a mãe respondeu: O Marcos disse que vem almoçar aqui, vem pra cá também".
Não sei se é científico ou não, mas li ou ouvi que casais vivendo muito tempo juntos, ficam muito parecidos nas atitudes e acabam tendo os mesmos problemas de saúde e se um falta o outro sente tanto a ausência que não demora a segui-lo. Principalmente quando se amam verdadeiramente.
À tarde talvez vamos lá no meu irmão, dar um abraço na cunhada e ver o jogo do meu Inter.
Hasta!

domingo, 27 de novembro de 2011

O Pai e o Tiozinho

Um indicador de tua decrepitude como homem, aos olhos dos outros, é a forma como estes se referem a respeito da tua pessoa.
Como é sabido, minha companheira é 18 anos mais nova que eu, e, acredito firmemente que cheguei ao meu limite. Arriscar-se com mulher mais nova ainda, chegaria ao nivel do temerário, pra não dizer ridículo.
Consciente disso, já havia comentado com ela de que chegaria o dia em que eu poderia ser confundido, com o pai ou um tio dela.

Há também o caso daquela propaganda de refrigerante, em que um homem bem mais velho que a garota propaganda é por ela denominado de "tiozinho" ou "tio", que eu acho a forma mais segura de uma mulher nova acabar com qualquer pretensão que o cidadão tenha em relação a ela. Depois que te chamam de "tio", ou pior de "tiozinho".Acabou pra ti, esqueça essa criatura, sem chance!
Pois meus queridos, este fim de semana ficará gravado nos anais da vida deste que vos escreve!
Sábado, eu e a Mônica pegamos o netinho dela, mais uns apetrechos, iamos entregar o menino à mãe dele  e posteriormente íamos ao sítio de um amigo nosso pra uma janta de confraternização. Antes ela passou no posto para abastecer o monza, que estava com pouca gasolina. O frentista (Chiquinho, conhecidíssimo) me parabenizou por ter ganhado o Ford Ka, no sorteio do supermercado Kuchak, ao mesmo tempo que perguntava o que eu faria com o monza. Respondi que o havia dado para a Mônica. Nisso a Mônica desce do carro (ela estava dirigindo)para pagar com o cartão e então a figura sai com essa: "Eu também, se ganhasse um carro num sorteio, daria o meu carrinho velho para meu filho, bem assim como teu pai fez!" Toooiiiinnnn!!!
A danadinha riu, mas não contestou, e depois me contou.
Hoje, penúltima rodada do brasileirão, decisiva para o meu Internacional, que jogava contra o Flamengo no Rio, tento assistir o jogo pela internet pois a tv aberta ia dar o jogo do Corintians, mas estava demorando muito e muito picotada, então decidi ir assistir no boteco do Mauri/Marisa que fica em frente à minha casa.
Jogo tenso, o Inter em cima, o Flamengo dando estocadas perigosas com o dentuço (e agora também chamado de onanista pela própria torcida flamenguista, o vídeo já saiu do ar) Ronaldinho, até que aos 46 do 1º tempo, um meio campista do Flamengo lança uma bola despretensiosa em direção à área colorada, o zagueiro desatento se atrapalha, a bola bate no garrão do cidadão e oferecida rola, dengosa, até os pés do camisa dez que só tem o trabalho de deslocar o goleiro! 1 x0 Flamengo!
No segundo tempo o Inter alugou meio campo, botou pressão, o goleiro flamenguista fechou o gol e passou a alimentar o contra-ataque dos rubronegros, o tempo passou e nada de gol colorado. Diminuiram as chances de classificação pra Libertadores, e pior, tudo vai se decidir num Grenal!
Quando ia me retirando, chateado, pra casa, um magrão colorado que nem eu, sai com essa: "Então tá, tiozinho, até a próxima!"
Tá mal o negócio!
Mas estou reagindo, a quinze dias recomecei a frequentar a academia e estou malhando três vezes por semana e além disso eu e Mônica estamos indo à aula de dança de salão todas as terças!
Não tá morto quem peleia!
Hasta.