quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Acampar! (1)

Viajamos com o intuito de acampar. A primeira parada foi no Parque das Tuias, município de Fontoura Xavier, na portaria recebemos informações  sobre o funcionamento do camping e  um folheto institucional sobre o hotel e demais atividades do empreendimento. Mas nos decepcionamos, embora tenhamos que concordar que eles estão ali para isso. A coisa toda está formatada pra ganhar dinheiro, então: não pode cozinhar, não pode trazer carne pra assar, não pode entrar com faca ou arma, tudo é pago, passeio, água, ingresso no parque, pesque e leve (não limpam os peixes)... etc; refeições, até um copo de água você tem que pagar.
Parque das Tuias - Entrada

Parque das Tuias - Aquário Gigante

Assim seguimos em frente, chegando na serra, em Marques de Souza, há vários campings e balneários, fomos passando de um por um e em todos a mesma resposta; em função das festas de fim de ano estavam desistindo do camping e passando a funcionar somente nos finais de semana, durante o dia. Comentário de um dono de camping: "A culpa de estarmos desistindo é da magrinhagem, acampam, promovem bebedeiras, arruaças, som alto a noite toda, um caos!"
Vista aérea do camping
O camping é todo gramado
O homem indicou o único camping que ainda aceitava campistas, o Camping Riacho Doce, no km 333 da BR386   , e para lá nos mandamos.
Fomos atendidos por um alemão enorme , muito gentil, que antes de responder se dava pra acampar verificou quantos éramos, vendo que era só um casal respondeu positivamente, apertou a minha mão com sua manopla e disse para ficarmos à vontade. Se fosse rapaziada, disse o homem, não deixaríamos acampar porque tem dado muitos problemas! Local muito bem organizado, limpo, com energia elétrica, torneiras, chuveiros, churrasqueiras, muita sombra, à beira do Rio Forqueta (que eu cheguei a pensar que era o Rio  das Antas, né Sol/Eva ! kkkkkkk).
Só achei uma deficiência, em outros campings (e outra época) haviam mesas de cimento ou até de madeira rústica, próximo a cada churrasqueira o que facilitava muito, neste não havia; coisa que pode ser corrigida, com certeza. 
Já de cara constatamos algumas coisas, o fogareiro que reformei pra acampar deu problema em uma das bocas e preteia toda a panela, sempre teremos de trazer extensões e bicos de luz (ou dormir com as galinhas!), o colchonete é bem fino e (o chão) durinho


Preparando um "Arroz de china pobre", arroz com salame.

Camping arborizado

Cozinha campeira instalada!

Chimarrão e o "pito" não podem faltar!

Entrada do "Balneário"!

Vista do camping

Banheiros ( a direita), Recepção - Bar - Refeitório (a esquerda)

Rio Forqueta - Balneário




Ninho de marimbondos esquisito

No Face, ao lado da rede de volei

Lendo as últimas notícias


Nos instalamos. Não precisa muito tempo, a barraquinha se arma com duas varetas, colocamos as cobertas dentro, catei seis tijolos pra servir de base pro fogareiro, aquentamos a água pro mate, então ficamos mateando e apreciando a natureza ao redor. Silêncio e canto dos passarinhos eram nossa companhia, o camping, com exceção de alguns moradores, estava vazio.
Continua....




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Os Gaúchos - Arnaldo Jabor

Parece que o cara ficou fã nosso!
Arnaldo Jabor       
   
     O Rio Grande do Sul é como aquele filho que sai muito diferente do resto da família. A gente gosta, mas estranha. O Rio Grande do Sul entrou tarde no mapa do Brasil . Até o começo do século XIX, espanhóis e portugueses ainda se esfolavam para saber quem era o dono da terra gaúcha. Talvez por ter chegado depois, o Estado ficou com um jeito diferente de ser.

     Começa que diverge no clima: um Brasil onde faz frio e venta, com pinheiros em vez de coqueiros, é tão fora do padrão quanto um Canadá que fosse à praia. Depois, tem a mania de tocar sanfona, que lá no RS chamam de gaita, e de tomar mate em vez de café. Mas o mais original de tudo é a personalidade forte do gaúcho. A gente rigorosa do sul não sabe nada do riso fácil e da fala mansa dos brasileiros do litoral, como cariocas e baianos. Em lugar do calorzinho da praia, o gaúcho tem o vazio e o silêncio do pampa, que precisou ser conquistado à unha dos espanhóis.
 
     Há quem interprete que foi o desamparo diante desses abismos horizontais de espaço que gerou, como reação, o famoso temperamento belicoso dos sulinos.
     É uma teoria - mas conta com o precioso aval de um certo Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo que recebia seus pacientes de bombacha e esporas, berrando: "Mas que frescura é essa de neurose, tchê?"
 
     Todo gaúcho ama sua terra acima de tudo e está sempre a postos para defendê- la. Mesmo que tenha de pagar o preço em sangue e luta.
     Gaúcho que se preze já nasce montado no bagual (cavalo bravo). E, antes de trocar os dentes de leite, já é especialista em dar tiros de laço. Ou seja, saber laçar novilhos à moda gaúcha, que é diferente da jeito americano, porque laço é de couro trançado em vez de corda, e o tamanho da laçada, ou armada, é bem maior, com oito metros de diâmetro, em vez de dois ou três.

     Mas por baixo do poncho bate um coração capaz de se emocionar até as lágrimas em uma reunião de um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG, criados para preservar os usos e costumes locais. Neles, os durões se derretem: cantam, dançam e até declamam versinhos em honra da garrucha, da erva-mate e outros gauchismos. Um dos poemas prediletos é "Chimarrão", do tradicionalista Glauco Saraiva, que tem estrofes como: "E a cuia, seio moreno/que passa de mão em mão/traduz no meu chimarrão/a velha hospitalidade da gente do meu rincão." (bem, tirando o machismo do seio moreno, passando de mão em mão, até que é bonito).

    Esse regionalismo exacerbado costuma criar problemas de imagem para os gaúchos, sempre acusados de se sentir superiores ao resto do País.
 
     Não é verdade - mas poderia ser, a julgar por alguns dados e estatísticas.
     O Rio Grande do Sul é possuidor do melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil, de acordo com a ONU, do menor índice de analfabetismo do País, segundo o IBGE e o da população mais longeva da América Latina, (tendo Veranópolis a terceira cidade do mundo em longevidade), segundo a Organização Mundial da Saúde. E ainda tem as mulheres mais bonitas do País, segundo a Agência Ford Models. (eu já sabia!!! rss) Além do gaúcho, chamado de machista", qual outro povo que valoriza a mulher a ponto de chamá-la de prenda (que quer dizer algo de muito valor)?
     Macanudo, tchê. Ou, como se diz em outra praças: "legal às pampas", uma expressão que, por sinal, veio de lá.

     Aos meus amigos gaúchos e não gaúchos, um forte abraço!
 
     Arnaldo Jabor - Os Gaúchos
Arnaldo Jabor

O Rio Grande do Sul é como aquele filho que sai muito diferente do resto da família. A gente gosta, mas estranha. O Rio Grande do Sul entrou tarde no mapa do Brasil . Até o começo do século XIX, espanhóis e portugueses ainda se esfolavam para saber quem era o dono da terra gaúcha. Talvez por ter chegado depois, o Estado ficou com um jeito diferente de ser.

Começa que diverge no clima: um Brasil onde faz frio e venta, com pinheiros em vez de coqueiros, é tão fora do padrão quanto um Canadá que fosse à praia. Depois, tem a mania de tocar sanfona, que lá no RS chamam de gaita, e de tomar mate em vez de café. Mas o mais original de tudo é a personalidade forte do gaúcho. A gente rigorosa do sul não sabe nada do riso fácil e da fala mansa dos brasileiros do litoral, como cariocas e baianos. Em lugar do calorzinho da praia, o gaúcho tem o vazio e o silêncio do pampa, que precisou ser conquistado à unha dos espanhóis.

Há quem interprete que foi o desamparo diante desses abismos horizontais de espaço que gerou, como reação, o famoso temperamento belicoso dos sulinos.
É uma teoria - mas conta com o precioso aval de um certo Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo que recebia seus pacientes de bombacha e esporas, berrando: "Mas que frescura é essa de neurose, tchê?"

Todo gaúcho ama sua terra acima de tudo e está sempre a postos para defendê- la. Mesmo que tenha de pagar o preço em sangue e luta.
Gaúcho que se preze já nasce montado no bagual (cavalo bravo). E, antes de trocar os dentes de leite, já é especialista em dar tiros de laço. Ou seja, saber laçar novilhos à moda gaúcha, que é diferente da jeito americano, porque laço é de couro trançado em vez de corda, e o tamanho da laçada, ou armada, é bem maior, com oito metros de diâmetro, em vez de dois ou três.

Mas por baixo do poncho bate um coração capaz de se emocionar até as lágrimas em uma reunião de um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG, criados para preservar os usos e costumes locais. Neles, os durões se derretem: cantam, dançam e até declamam versinhos em honra da garrucha, da erva-mate e outros gauchismos. Um dos poemas prediletos é "Chimarrão", do tradicionalista Glauco Saraiva, que tem estrofes como: "E a cuia, seio moreno/que passa de mão em mão/traduz no meu chimarrão/a velha hospitalidade da gente do meu rincão." (bem, tirando o machismo do seio moreno, passando de mão em mão, até que é bonito).

Esse regionalismo exacerbado costuma criar problemas de imagem para os gaúchos, sempre acusados de se sentir superiores ao resto do País.

Não é verdade - mas poderia ser, a julgar por alguns dados e estatísticas.
O Rio Grande do Sul é possuidor do melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil, de acordo com a ONU, do menor índice de analfabetismo do País, segundo o IBGE e o da população mais longeva da América Latina, (tendo Veranópolis a terceira cidade do mundo em longevidade), segundo a Organização Mundial da Saúde. E ainda tem as mulheres mais bonitas do País, segundo a Agência Ford Models. (eu já sabia!!! rss) Além do gaúcho, chamado de machista", qual outro povo que valoriza a mulher a ponto de chamá-la de prenda (que quer dizer algo de muito valor)?
Macanudo, tchê. Ou, como se diz em outra praças: "legal às pampas", uma expressão que, por sinal, veio de lá.

Aos meus amigos gaúchos e não gaúchos, um forte abraço!

Arnaldo Jabor - Os Gaúchos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O casório do Dudu!

O meu primo Eduardo Ritter (mais conhecido como Dudu, que me chama de tio, afinal sou o primeiro neto dos Carvalhos e um pouco de hierarquia não faz mal, hehehehehe!) parou de enrolar a Crys e casou! Ele é um do trio de alemões (que não são alemões) blogueiros, e que, curiosamente, no ano de 2012 arrumaram parceiras (Dudu, que casou com a Crys e Gerson que uniu-se à Patsy e à "Nitole", filhinha dela, eu já tinha a Mônica, embora não fosse o Cebolinha).
Da direita pra esquerda, José e Noemi (dindos) e Marcos
A cerimônia religiosa foi na Catedral Ângelopolitana e contou com a presença de familiares do Noivo e da Noiva além de amigos do casal. Cerimônia bonita, músicas escolhidas a dedo, padre bem humorado, tudo beleza! Ah! Também esteve presente um casal de andorinhas que ficavam voando pra lá e pra cá, na nave central enquanto Dª Mimi, preocupada observava as evoluções.
Depois a festa, na casa do Sr Claiton, mais conhecido como "o pai da noiva", buffet no capricho, chopp e refri geladinhos à vontade, tabuleiro de docinhos e  o bolo da noiva, enquanto a Larissa e outros pequerruchos "ferviam" entre os convidados, Laurinha, com aftas sofria solitária e heroicamente.


Dudu e Crys cortando o bolo e Larissa enfiando o dedo no merengue!

Chegou a hora fatal, em que a noiva joga o buquê e a mulherada solteira (mais ou menos desesperada) tenta pegá-lo pra ser a próxima a casar. Detalhe, eu e a Mônica estamos juntos (as vezes mais, as vezes menos) a  seis anos,  pra incomodar, tive a infeliz idéia de incitar a parceira pra que pegasse o tal buquê.
Pois não é que a Crys jogou o buquê bem em cima dela?

A Mônica estava lá atrás!



Ela pegou o buquê e jogou no meu colo dizendo: " Te vira agora!"
O buquê fatídico!
Me lasquei!
Mais algumas fotos.

Discurso

Os Carvalhos

Priminhos

Tia Nara e o casal
Na praça do Jacaré


O amor é lindo!



Temporal!

 A entrada do ano novo foi singular e muito bonita! Eu e Mônica fomos para uma elevação perto da casa dela de onde podíamos ver as luzes da cidade de Ijuí, em toda sua extensão. Estávamos a seis km  da cidade, numa estradinha que corta plantações de soja, a oeste do centro.
Assistimos deste lugar privilegiado aos fogos que saudavam a entrada de mais um ano, nos desejamos feliz ano novo, brindamos, etc...
Depois de um tempo voltamos para a casa da Mônica, onde iríamos dormir para na manhã seguinte buscarmos Seu José e Dª Mimi, a fim de comemorarmos junto com a família de meu irmão.

Por pouco os carros não foram atingidos
 Então começou o pesadelo. Pela internet, Mônica tomou conhecimento de temporal que atingia o estado, mais precisamente Santa Maria e que se deslocava para oeste. Pensei , mas não comentei, vai passar por aqui. Mas continuamos com os preparativos pra dormir. Então faltou energia, que foi e voltou rápidamente umas 3 vezes. Mônica ainda foi fumar um último cigarrinho, enquanto espiava pela janela e eu deitei. Primeiro começou uma chuva, depois o vento, que foi aumentando de intensidade em proporções geométricas. Deitado eu sentia as telhas da casa vibrarem com a força do vento, então ouvi um som de pancada e vidro se quebrando, era o vidro da porta da cozinha que havia estourado (ainda não sabíamos, mas a porta fora atingida pelo pedaço de telhado arrancado do galpão que fica a uns 20m da casa), Mônica gritou pra que eu levantasse, vestisse uma roupa, porquê poderíamos ter que sair a qualquer momento.
A casinha do galinheiro tombou
Meio sonolento e um pouco atarantado, saí catando roupas e calçados no escuro, ouvindo o vento gritar jogando água em rajadas para dentro de casa. O vento era tão forte que emitia um ruído parecido com o uivo, tanto que perguntei se eram os cães que estavam uivando daquele jeito, ela disse: não, é o vento!
Nós tinhamos guardado um balcão que estava na área, de forma que, com espaço, estacionamos os carros bem pra dentro dessa área coberta que fica na frente da casa. Foi nossa sorte, outro pedaço do telhado do galpão foi arrancado, girou no ar, atingiu as telhas da área, girou no ar novamente e caiu sobre a cerca.
 Ouvíamos estrondos de galhos se quebrando (o terreno onde fica a casa, de mais ou menos 1ha, tem uma parte com muitos eucaliptos de grande porte) e assístíamos pela fresta da janela os clarões dos relampagos e a chuva quase na horizontal devido à força dos ventos.
Decidimos então, esperar a tormenta amainar para irmos até a cidade ver como estavam meus velhinhos e se a casa deles não fora atingida pela tempestade.
Galhos do eucalipto tombado, o tronco está mais à direita
Tentei ligar para meu irmão mas ele não atendeu,
 meus pais também não atenderam.
Quando a chuva e o vento diminuíram, saímos
 e começamos a ver os estragos (as fotos mostram a extensão dos danos), no galpão, na casa e também na escola que fica em frente. Quando tentamos sair a rua estava bloqueada por dois enormes troncos de eucalipto, manobramos o carro para tentar sair pela outra extremidade da estradinha, mas também estava bloqueada por diversas árvores caídas.
A última parte da máquina de lavar encontrada
Quando voltamos, um vizinho desobstruia a rua com uma motoserra, enquanto esperávamos a Mônica começou encontrar coisas dela entre os galhos: a máquina de lavar roupa toda desmontada, baldes, o cesto de roupa, coisas que estavam do lado de fora que o vento carregou.
Sala de aula destelhada
Começaram a chegar carros vindos de Ijuí, nos informaram que a BR estava bloqueada por grande quantidade de arvores caídas, perto do posto da Polícia Federal, teríamos que ir até o trevo de Catuípe, entrar na RS pra poder chegar à cidade.
Assim fizemos. Preocupados, fomos até a casa do meu irmão, olhamos, parecia tudo em ordem. Fomos até a casa dos meus pais, entramos, acordamos os velhinhos, que já dormiam, disseram qua achavam não ter acontecido nada com a casa (no dia seguinte o vizinho, que consertava o telhado da casa ao lado avisou que havia telhas deslocadas pelo vento).
A quadra onde meus pais moram era uma desolação só, a casa em frente havia sido totalmente destelhada, em todas as casas havia danos de maior ou menor monta, na esquina da quadra seguinte outra casa destelhada.
Agora estou a cata de um pedreiro pra revisar e consertar o telhado!
Hasta!

Brinquedo foi arrastado e caiu sobre a cerca da pracinha

Eucalipto quebrou dentro do pátio e obstruiu a rua em frente

As telhas de zinco em dois pedaços grandes voaram por mais de vinte metros

As telhas foram arrancadas

O oitão inclinou com a força do vento!

sábado, 22 de dezembro de 2012

De volta ao lar

De volta ao lar dos meus "viejitos", uma precaução por causa da idade avançada deles, estando por perto fica mais fácil socorrê-los em uma emergência, penso eu.
O velho pinheiro tombado, virou cepos, em seguida se tornarão achas para fogão e churrasqueira, lenha de luxo, nos dias de hoje. Com a queda solucionou-se um problema que se arrastava a anos, os órgãos governamentais não autorizavam o corte da árvore ferida por um raio, por ser espécime nativa, por pura sorte o vendaval a derrubou onde causou o mínimo de danos.
Morando com meus pais vejo com mais clareza o que a velhice faz com uma pessoa, o alemão Alzeihmer e Dr. Parkinson, reumatismo, artrose,  roubam memória e movimentos deles a ponto de uma conversa travada a minutos atrás já não ser lembrada instantes depois, Dª Mimi tem dores nas juntas e dificuldades para caminhar. 
Mas também tem coisas bonitas. Os dois estão fisicamente bem velhinhos, 60 anos casados, mas o carinho entre eles chega emocionar. Dia destes precisava falar algo com eles, hora da "séstia", bati na porta do quarto, então abri uma frestinha e vi os dois deitados de mãos dadas!
São coisas assim que não vejo, na minha geração e gerações posteriores. Não há perspectiva para o futuro, tudo tem que ser imediato, se uma relação está com problemas, não se tenta consertar, simplesmente partimos pra outa. Mea culpa, já estou no quinto relacionamento e não tenho segurança de que seja o último. Meu pai, tempos atrás, até me deu uma letra: " Filho, você já tá meio madurão (vou fazer 59 daqui a 20 dias) tá na hora de encontrares uma boa mulher e de sossegares o facho!"
Eles, com certeza, tiveram problemas, brigas e discussões, mas, incrivelmente, até minha adolescência nunca presenciei tais coisas. Eles preservavam os filhos disso, resolvendo os problemas a portas fechadas ou à noite enquanto dormíamos. Somente adulto vi uma vez minha mãe xingar o velho por ciúmes de uma "véia assanhada" que tínhamos na congregação de nossa igreja.


Agora posso assistir minha mãe dizer palavrões, coisa impossível até meus 40 anos de idade, e a velha os sabe! A primeira vez que ouvi minha mãe dizer um "nome feio" quase caí da cadeira! Imagina o susto!Hehehehe.
Como a memória os trai, eles vivem "perdendo" as coisas, chaves, dinheiro, dentaduras, óculos, chinelos, o quê se imaginar. Normalmente é fácil de achar, mas as vezes eles se esmeram, aí vira gincana.
Lugares habituais de se encontrar as coisas: no lugar onde sempre deixam, gavetas, bolso da roupa usada no dia anterior, na geladeira, no roupeiro, mesa da sala, etc..., no fim tá virando farra nossa, com pulinhos para São Longuinho, o santo que ajuda achar as coisas.
Hasta!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

GOSTO DE ENVELHECER




Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo .... Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 e 70, e se eu , ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido ... Eu vou.

Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.

Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecido. Mas há mais, algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.

Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado.

Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho. Ela me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!
Desconheço o Autor.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bancos e taxas não sei o autor


LEIA ATÉ O FINAL
Esta carta foi enviada ao Banco Itaú, porém, devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser direcionada a todas as instituições financeiras. Tenho que prestar reverência ao brasileiro(a) que, apesar de ser altamente explorado(a), ainda consegue manter o bom humor.

Senhores Diretores do Banco Itaú,
Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena ta
xa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria assim: todo mês os senhores, e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc).. Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante.
Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade.
Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima. Que tal?
Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade.
Minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço..
Além disso, me impõe taxas. Uma "taxa de acesso ao pãozinho", outra "taxa por guardar pão quentinho" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.
Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me cobraram preços de mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.
Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma "taxa de abertura de crédito'"- equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pãozinho", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.
Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco.
Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma "taxa de abertura de conta".
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura da padaria", pois, só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.
Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "papagaios". Para liberar o "papagaio", alguns Gerentes inescrupulosos cobravam um "por fora", que era devidamente embolsado.
Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos
gerentes inescrupulosos.
Agora ao invés de um "por fora" temos muitos "por dentro".
- Tirei um extrato de minha conta - um único extrato no mês - os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00.
- Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 "para a manutenção da conta" semelhante àquela "taxa pela existência da padaria na esquina da rua".
- A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo.
- Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quentinho".
- Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.
Por favor, me esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma!
Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o que estão cobrando está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central.
Sei disso. Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco.
Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados..
Sei que são legais. Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, vocês concordam o quanto são abusivas.!?!
ENTÃO ENVIEM A QUANTOS CONTATOS PUDEREM.
VAMOS VER SE MEXE COM A CABEÇA DE QUEM FEZ ESSAS LEIS PARA PENSAREM O QUANTO ESTÃO ERRADOS!!!
Já fiz minha parte enviando para você.